Tinham-se passado dez anos...dez longos anos...Não achava possível não a ver há tanto tempo e sentir o que sentiu mal os seus olhos se cruzaram com a figura dela, naquela tarde fria. Ela está igual, pensou ao se aproximar. Poderia ser a rapariga de vinte anos. O tempo não tinha passado por ela.
Aproximou-se ainda mais, ela continuava sem o ver. ela notou a mão dele sobre o seu ombro e virou-se. Surpreendeu-se ao ver quem era. Tinham-se passado dez anos a viverem na mesma cidade, sem nunca se encontrarem. Sentiu as pernas tremerem mais do que ela queria. Só conseguiu sorrir timidamente.
O mesmo olhar, o mesmo sorriso tímido, era ela de novo, àli à sua frente. E ele sentiu como se nunca se tivessem estado separados.
Abraçou-a, não sabia se devia, não sabia se podia. Mas queria muito senti-la de novo nos seus abraços. Ao abraçá-la sentiu-se quase desfalecer, há tanto tempo que não era abraçado assim, aliás só mesmo ela o tinha abraçado assim, desta maneira desconcertante.
Ainda gostava dela, se algum dia tinha duvidado disso, agora era mais claro que água. Nunca nestes anos todos a tinha esquecido...e agora vê-la outra vez, recordava-lhe um passado há muito perdido.
Ela ficou algum tempo a olhar para ele, não soube logo o que dizer. Tinham-se passado muitos anos. Muitas vezes tinha imaginado como seria um possível reencontro. Mas em dez anos isso nunca tinha acontecido. Mas agora ele estava ali, à sua frente, como nunca deveria ter deixado de estar. Mas ela sabia algo que os poderia voltar a separar, que certamente os separaria outra vez. Ele só não soube porque nem quis. Mas isso, não os importava naquele momento. Tudo o que pensavam é que estavam ali, os dois...Ele tinha ido à sua procura. Estavam de novo juntos, como nunca deveriam ter deixado de estar.