Wednesday, November 09, 2005

Para vocês...

Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro lá cravava
a bica, ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Num gesto que podia ser de amor
Sorria, e ao sorrir agradecia

São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
A Terra gira ao contrário
E os rios correm para o mar

Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto
Entrava como artista principal

Compramos a entrada p'ra sessão
Pra ver tal personagem no écran
O rosto maltratado era a razão
De ele não aparecer pela manhã

São os loucos de lisboa
que nos fazem duvidar
que a terra gira ao contrario
e os rios nascem no mar

Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá pára
Um louco a fazer-lhe companhia

E sempre a mesma posse o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueam
Sentado la continua a cravar
Beijinhos as meninas que passeiam.

São os loucos de lisboa
que nos fazem duvidar
que a terra gira ao contrario
e os rios nascem no mar

3 Comments:

At Wednesday, 09 November, 2005, Blogger Antonio Pereira Dias said...

a carapuça serve-me

 
At Wednesday, 09 November, 2005, Blogger Guigui said...

A carapuça serve também aqui

 
At Thursday, 10 November, 2005, Blogger Antonio Pereira Dias said...

carapuça "one size fits all"

 

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