Friday, September 23, 2005

Barco

Monet
Margens inertes abrem os seus braços

Um grande barco no silêncio parte.

Altas gaivotas nos ângulos a pique,

Recém-nascidas à luz, perfeita a morte.
Um grande barco parte abandonando

As colunas de um cais ausente e branco.

E o seu rosto busca-se emergindo
Do corpo sem cabeça da cidade.
Um grande barco desligado parte

Esculpindo de frente o vento norte.

Perfeito azul do mar, perfeita a morte

Formas claras e nítidas de espanto
Barco, Sophia de Mello Breyner

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