Monday, January 09, 2006

Concordância de destinos

"Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela; e pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena. Maria Eduarda, Carlos Eduardo... Havia uma similitude nos seus nomes. Quem sabe se não pressagiava a concordancia dos seus destinos! "
(...)
" Voltou-se, viu Maria Eduarda diante de si. Foi como uma inesperada aparição - e vergou profundamente os ombros, menos a sauda-la, que a esconder a tumultuosa onda de sangue que sentia abrazar-lhe o rosto. Ela, com um vestido simples e justo de sarja preta, um colarinho direito de homem, um botão de rosa e duas folhas verdes no peito, alta e branca, sentou-se logo junto da mesa oval, acabando de desdobrar um pequeno lenço de renda. Obedecendo ao seu gesto risonho, Carlos pousou-se embaraçadamente á borda do sofá de reps. E depois d'um instante de silencio, que lhe pareceu profundo, quasi solene, a voz de Maria Eduarda ergueu-se, uma voz rica e lenta, d'um tom d'ouro que acariciava. "
in Os Maias (capitúlo XI)

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